PENSANDO UM POUCO SOBRE O AMOR


Um dos conceitos mais importantes nos estudos da psicanálise, senão o mais importante, o amor, nunca deixou de alimentar longos diálogos e proporcionar discussões “homéricas”. O tema do amor é facilmente encontrada, atualizada e representadas em debates que despertam e sempre despertaram muito interesse as pessoas. Sempre atual, o mesmo se faz presente em nosso dia a dia, diante dos escritos mitológicos, poéticos, musicais, etc.

Não raramente experimentado por todos, salvo raras exceções, porém, de difícil explicação, ou conceptualização, apesar de serem descritos em manuais e dicionários, o amor nunca passou e nunca passará por nós despercebidos. Portanto, através dessa reflexão, tentaremos expandir um pouco mais tal conceito, despretensiosamente.

Descrito há tempos, o amor também se apropriou do pensamento filosófico (ou vice e versa), sendo classificado como; virtuoso e fraternal se chamando Philos, do Eros surgiu o amor passional, que muitos chamam de “amor entre homem e mulher” (sexual) e, por fim, o conceito Ágape, que seria um amor ideal, puro, transcendental (sagrado).

“Emprestado” da mitologia grega, em sua psicanálise, Sigmund Freud (1856-1939), chamou de Eros (pulsão de vida) o amor responsável pela integração das partes. Assim como a filosofia, a psicanálise sugere uma estrutura ao se referir a uma escala evolutiva, que basicamente vão desde as paixões desenfreadas as formas mais nobres de amor.

Resumidamente, Eros, representado aquilo que Freud chamou de pulsão de vida, essa tem a função de desligar-se de si, ligando-se ao outro; enquanto chamou de Tânatos, a pulsão de morte, que faria o papel inverso; ou seja, se desligando do outro para ligar-se em si, num movimento narcisista.

Através da ótica psicanalítica, percebemos a tendência em voltarmo-nos a nós mesmo, numa atitude narcísica. Essa dificuldade em desligar-se de si mesmo para irmos em direção ao outro (ligar-se ao outro), denota um sinal claro de dificuldade e limitação do sujeito em se articular com o amor.

Por isso, podemos dizer que amar subentende sair de si em direção ao outro, num ato de entrega, doação, responsabilização, comprometimento, cuidados, etc. Talvez por isso, a psicanálise nos mostre o porquê é tão difícil o exercício do amar; pois, tal sentimento sugere que desarmemos nossas defesas para irmos ao encontro do outro, ficando assim, vulneráveis e a mercê de muitos sentimentos e desconfortos. Por isso, muitas vezes, amar chega a doer.

Ainda sob o vértice da psicanálise, a proposta de certo entendimento a respeito do amor, ganhou mais uma contribuição através das observações freudianas do desenvolvimento infantil na fase fálica, sob a cogitação edipiana (que poderemos aprofundar num outro momento). É frente essa cogitação, que o sujeito desenvolve a capacidade de se relacionar (amar), que por sua vez, se desdobrará ao longo da vida em experiências de erros e acertos. Por fim, como diz meu caro amigo psicanalista (Renato Dias Martino): “Assim como só se aprende acertar errando, também só se aprende a amar, amando." 

por Paulo Henrique de Oliveira




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