EMPATIA E RESPEITO

            
No presente texto, refletiremos sobre dois termos extremamente valiosos ao ser humano, e dentro do setting terapêutico, reconhecidos sob a perspectiva da psicanálise no que diz respeito à continência e revêrie, ou seja, mais que uma técnica, uma prática de acolhimento; são os conceitos de empatia e respeito.
Porém, antes de mergulharmos na origem da palavra “empatia”, faremos um paralelo, ou seja, uma breve reflexão para decifrarmos termos vizinhos a este, a fim de enriquecer nossa compreensão sobre este tema.

Do núcleo da palavra empatia, tomemos para uso o termo grego “pathos” (patia) que significa sofrimento. Partindo da palavra sofrimento, poderíamos estender nossa reflexão e pensarmos no significado de patologia, que é a parte da medicina que estuda as doenças; portanto, ao desmembrarmos esse termo, teremos: “phatos” (sofrimento) + “logia”, também originário do grego “lógos” (estudo). Paralelo a este e, no oposto da empatia, pensemos agora outro termo designado “apatia”, onde o prefixo “an” ou “a” no grego tem o significado de privação, negação; ou ainda, se buscarmos a ampliação do significado do prefixo “a”, no latim, terão dois significados, a saber: afastamento e separação. Portanto, se pensarmos, por exemplo, sob a ótica da relação analista-paciente, poderemos concluir que a “apatia”, no setting terapêutico, é um sentimento que mantém o analista distante, afastado, ou ainda, não reconhecedor do sofrimento do paciente.

Em contrapartida, do termo “pathos”, podemos pensar sobre o conceito de “simpatia”, onde o prefixo “sim” denota a positiva atitude de estar “ao lado de” alguém, estar junto. E, por fim, “empatia”; ter empatia é mais do que estar simpático, é se colocar no lugar do outro; no grego, “em” significa estar “dentro de” + “patia” (pathos), ou seja, novamente, tendo como exemplo o setting terapêutico, é a capacidade do psicoterapeuta (analista) colocar-se no lugar do paciente, portanto, entrar dentro dele e, junto dele, sentir seu sofrimento.

Porém, acredito que para que isso seja possível, é necessário que tenhamos a capacidade de reconhecimento em questão: o respeito.

A palavra respeito vem do latim "respectus", participio passado de "respicere". Do "re" (de novo) , mais "specere" (olhar), portanto, olhar outra vez. É a ideia de que algo merece ser visto com novamente com um novo olhar. É o convite de um olhar mais cuidadoso, de melhor qualidade. Contudo, este deve ser um olhar que não esteja maculado por rótulos e estereótipos. 

O desenvolvimento dessa capacidade de "re-speitar" só será possível dentro de um ambiente tolerante e acolhedor, características de uma capacidade de empatia e revêrie, termo cunhado pelo psicanalista W. R. Bion (1897-1979). Ao contrario, todo ambiente que apresente algum tipo de sinal de ameaça e desrespeito provocará, automaticamente, comportamentos defensivos, criando escudos, atuações e máscaras que impedirão um novo olhar, fechando as "portas" da "verdade".

Entretanto, quanto mais o ambiente mostrar-se acolhedor, mais nos sentiremos seguros e encorajados, aumentando a capacidade de voltarmos um novo olhar para o interior de nós mesmos, aproximando-nos assim, cada vez mais, para perto da "verdade". 

por Paulo Henrique de Oliveira



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